É amor ou dependência afetiva?

A dependência é o primeiro estado que conhecemos ao nascer. No início da vida, quando bebês, somos completamente dependentes de alguém para sobreviver. Necessitamos de cuidados, proteção e alimentos físicos e emocionais para crescermos de forma saudável

Se nesses primeiros anos de vida existem falhas nesse suprimento físico ou emocional, certamente essa ausência de comida ou amor nos transformará em pessoas “subnutridas” fisicamente ou emocionalmente. Nos tornaremos adultos com necessidades infantis as quais não foram supridas adequadamente.

Assim, quando adultos, buscaremos suprir as nossas carências emocionais de criança com pessoas que estão à nossa volta (namorado(a), marido/esposa, amigos, filhos...) mas, especialmente com os nossos parceiros afetivos.

Nos tornamos dependentes emocionais ao cobrar de alguém uma dívida que não foi gerada por esta pessoa. Enquanto dependentes, vivemos em busca de alguém que possa nos servir de “muleta” para a nossa incapacidade de nos sustentarmos sozinhos. Assim, transformamos os nossos relacionamentos em fracassos repetitivos.

A dependência emocional acontece quando uma pessoa depende de outra para sentir-se “completa”, valorosa, feliz e tomar suas próprias decisões. O dependente emocional não consegue vivenciar nada disso sem a sua “muleta”.

Sob o disfarce de amor romântico, a dependência afetiva se torna um vício voraz que nunca satisfaz o dependente e sobrecarrega o seu parceiro, do qual ele depende. O dependente emocional apresenta um padrão constante de insatisfação e transfere a responsabilidade de ser feliz para o outro pois, ele(a) não se vê capaz de ser se responsabilizar e trabalhar pela sua própria felicidade.

A pessoa dependente começa a perder sua própria identidade até se transformar num anexo da pessoa “amada”, assombrada constantemente pelo medo da perda do outro. Já o seu parceiro(a), sente-se inicialmente “amado” e empoderado por ser o centro da vida de alguém e passa a ter o “controle” da relação. Porém, esse “poder” e pseudo amor se tornam um fardo muito pesado. Com essa dinâmica, esse parceiro vai embora ou passa a se comportar de forma abusiva com parceiro dependente, usando desse “poder” para dominar e maltratar o dependente.

É desta combinação desastrosa (dependente emocional + parceiro dominante) que se constituem as relações abusivas. Ou seja, é uma relação fadada ao fracasso e ao adoecimento de ambos. Ainda que não haja separação, ambos vivem infelizes para sempre.   

A dependência afetiva tem os mesmos sintomas de uma dependência química e por ser algo emocional, pode ser bem mais difícil de ser identificada e tratada. O dependente vive um estado constante de medo, ansiedade e de necessidade pela sua “droga”. Se o parceiro está presente, o dependente fica bem, mas se ele está ausente ou mal-humorado, o mundo do dependente se desestabiliza. E por pior que seja o relacionamento, o dependente não suporta se imaginar vivendo sem ele(a). Para o dependente emocional, a única fonte de prazer da sua vida é o parceiro; o parceiro é tão necessário quanto o ar que ele respira. 

Dependentes não possuem uma autoestima saudável e estão sempre em busca de alguém que preencha os seus vazios emocionais. Para manter o relacionamento, fazem qualquer coisa, podendo oscilar entre a agressividade (ciúme, controle, obsessão, vitimização...) e a passividade (submissão, obediência, docilidade, tentativa constante de agradar...) para evitar perder o seu “objeto de amor”.

Apesar de muitos confundirem, dependência e amor são completamente distintos:

O amor constrói, a dependência destrói. O amor troca, a dependência suga. O amor é leve, a dependência é pesada. O amor libera, a dependência controla. O amor vive, a dependência teme.

Se você se identifica com esse padrão, busque ajuda profissional de um psicólogo e inicie o seu caminho rumo à liberdade e à saúde emocional, compreendendo e construindo aquilo que lhe falta. Só assim você será capaz de viver de forma inteira e construir relacionamentos leves e felizes.

Lembre-se, quanto mais consciente melhor!


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