Comunicação perversa. Você já vivenciou?

A comunicação perversa é muito mais comum do que imaginamos e tem como objetivo o domínio e o controle do outro

Essa forma de comunicação pode ocorrer em qualquer tipo de relacionamento: casais, pais e filhos, amigos, chefes e subordinados. Esse tipo de comunicação é tão devastador que quando ela ocorre no período da infância, entre o filho(a) e a mãe ou o filho(a) e o pai, ela pode causar danos psicológicos graves para toda a vida pois, compromete a formação psíquica do sujeito podendo causar depressão, ansiedade e diversos tipos de transtornos psíquicos.

Para dominar alguém não é necessário a violência física, especialmente, se o dominador for inteligente o suficiente para desestabilizar e confundir o dominado psicologicamente.

E por que alguém teria o interesse de dominar o outro em um relacionamento? A primeira razão se dá quando uma pessoa tem uma personalidade perversa (sente prazer na dor alheia) ou algum tipo de transtorno psicológico de personalidade (DSM-5) que a impede de construir relacionamentos saudáveis.

Uma outra possibilidade é o fato de uma pessoa ter uma autoestima tão baixa que a única forma que ela consegue relacionar-se com o outro é diminuindo-o para que assim, ela se sinta no mesmo patamar ou um pouco melhor com relação ao outro.

A comunicação perversa é um tipo de tortura psicológica exercida contra o outro com o intuito de subjugá-lo e tirar proveito da sua desestabilidade emocional. Essa tortura pode ser exercida de forma velada e silenciosa, sem que o outro perceba que está sendo torturado ou controlado.

O prazer do perverso é envolver o outro no seu jogo sádico em que ele dita as regras (regras fora dos padrões morais e éticos) deixando o outro confuso e preso nessa dinâmica que ele controla. Isso faz com que o perverso se sinta muito empoderado e isso gera muito prazer a ele.

As principais ferramentas de uma comunicação perversa são a crítica, a ironia e o silêncio (como forma de indiferença e punição). Na dinâmica da comunicação perversa apenas o dominador tem voz ou direitos. Todo tipo de tentativa pelo dominado de se expressar, emitir uma opinião, celebrar uma conquista ou fazer uma escolha, é totalmente ignorada, desqualificada ou ridicularizada pelo perverso dominante. Isso pode ocorrer tanto no contexto privado, quanto em um ambiente público, no qual o dominado é exposto pelo perverso e se sente ainda mais constrangido e envergonhado diante de outros.

O perverso está sempre criando um “clima” tenso e desagradável na relação e ainda responsabiliza o dominado por esse desconforto. Frases do tipo: “Eu estava brincando”; “Eu não disse isso”; “Você exagera tudo”; “Você entende tudo errado”; “Você é louca”; “Ninguém te suporta”... são muito usadas pelo perverso quando o dominado reconhece e tenta apontar o desrespeito que está sofrendo. Nessas situações, o perverso além de não assumir o seu jogo, ele inverte os papéis para convencer o dominado de que ele é o culpado pelo mal-estar da relação. Alguns perversos podem oscilar entre a arrogância e a vitimização para confundir e controlar o outro.

Depois de algum tempo, a vítima já está confusa e fragilizada demais para perceber a realidade e as estratégias do dominador e passa a consentir os desrespeitos, sarcasmos, desqualificações e indiferenças do seu parceiro, pai/mãe, amigo ou colega de trabalho para poder manter a relação.

Esse tipo de dinâmica impede que a real comunicação se estabeleça e uma relação saudável se construa. Sem uma comunicação honesta, não há relacionamento saudável e benéfico para ambos.

Uma comunicação perversa pode destruir alguém emocionalmente.

Qualquer relacionamento que custe a sua integridade, já está caro demais.

Não é só a violência física que mata, a psicológica também adoece e mata.


Quanto mais consciente, melhor!

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